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São Pedro Nolasco
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   :: Resumo Sobre a Vida de São Pedro Nolasco


São Pedro Nolasco, fundador da Ordem Mercedária, a todos os religiosos/as e leigos mercedários, com o intuito de perenizar a figura de Nolasco e suscitar numerosos continuadores de sua obra.

Nolasco reagiu ao sofrimento dos cativos do século XIII. Mudou o rumo de sua vida, gastou sua fortuna e fundou uma Ordem Religiosa em favor da liberdade dos cativos. Renunciou ao comércio de mercadorias para se tornar redentor da liberdade dos cativos. Nolasco foi assim um guerreiro ardoroso ao serviço da liberdade. Sabia muito bem o valor da liberdade para o ser humano.

A liberdade foi sempre um grande sonho do homem. Nascer livre, viver livre, andar livremente de um lugar para outro, foi sempre um anseio profundo do coração humano. A liberdade é sonho, ideal, anseio, direito humano. Além de tudo isso, a liberdade é Dom de Deus. Deus criou o homem livre. Quer receber amor de filhos livres. Sem liberdade, o amor não tem valor. Deus quer o homem livre de qualquer opressão externa ou de qualquer dependência interna. Ninguém é dono nem escravo de ninguém. Cada homem é dono de si, autônomo, soberano. Deus quer o homem livre para o amor. Só quem ama é livre, se realiza como homem e filho de Deus. O amor é a realização da liberdade.

Os mercedários querem participar deste sonho humano, que Nolasco assumiu como missão.

LENDO A VIDA

Infância e Juventude de Pedro Nolasco

Nasceu perto de Carcasona, pequena cidade do sul da França, em 1180. Seus pais pertencem à classe de comerciantes bem-sucedidos e festejam com grande alegria o atender aos interesses da família. Desde cedo, porém, o menino conscientemente reage a estes interesses e se mostra inclinado para as coisas de Deus.

A família de Pedro Nolasco, se mostra desorientada e preocupada, pois o filho não "caminha nos padrões familiares". Seus pais lhe oferecem toda sorte de bens e lhe prometem a felicidade do mundo. O jovem rapaz não esconde, porém, o seu desejo mais forte de "servir a Deus", cujo caminho ele vai descobrindo desde cedo.

Os seus educadores tentam modificar-lhe o caminho, a pedido dos pais. Pedro Nolasco, no entanto, firma-se na convicção de que os interesses de Deus estão acima dos interesses deste mundo.

Os jovens de sua época estão fascinados pelo "brilho das coisas deste mundo". Pedro Nolasco, contudo, sente-se bem procurando a "glória de Deus", através da loucura da cruz.

Aos vinte anos fica órfão de pai e mãe. O vazio familiar, o abandono dos parentes e a incompreensão dos amigos representam terrível obstáculo na vida deste jovem. Isto, porém, não o desanima. Para Pedro Nolasco o caminho está claro: servir a Deus, servindo aos seus irmãos.

Vocação de Pedro Nolasco e Fundação da Ordem Mercedária

Nolasco sente-se interpelado pôr Deus, mas também vê que é necessário continuar o trabalho do pai. Suas freqüentes viagens pelas cidades do Mediterrâneo, em busca de boas transações comerciais, serviram para que ele conhecesse de perto a situação dos cristãos cativos. Ele começou a observar o tipo de tratamento que os sarracenos davam aos cristãos cativos e ficava chocado com tanto sofrimento.

Sua vida de oração começou a direcionar-se nesta intenção. Ele se sentiu aos poucos tocado pela graça de Deus e diante de tão grande desafio sua alma de jovem reage com coragem.

Estamos em oração na catedral de Barcelona, recebe uma inspiração especial da Mãe de Jesus para fundar uma Ordem Religiosa a fim de redimir os cristãos cativos das mãos dos sarracenos, inimigos da Lei de Cristo.

Nolasco disse "Sim" aos apelos de Deus, vindos através de Maria. Renunciou à atividade comercial e entregou todos os bens a fim de iniciar a obra da "Redenção dos cativos". A tarefa era árdua, mas ele conseguiu a adesão de companheiros e amigos e puseram-se a serviço dos cativos. Pedro Nolasco fundou em Barcelona, no dia 10 de agosto de 1218, a Ordem da Virgem Maria das Mercês da Redenção dos Cativos, com a participação do Rei Jaime I de Aragão e na presença de Dom Berenguer de Palau, Bispo da cidade.

A obra de Nolasco tornou-se conhecida. Ele conseguiu colaboradores, foi apoiado por instituições públicas e sensibilizou a consciência da Igreja para a obra da Redenção. Sendo bem acolhido pela sociedade e a Igreja, e contando com a ajuda financeira do Rei Jaime I, Nolasco e seus companheiros, cheios de ardor pela causa do Reino, viram sua obra crescer e se espalhar em pouco tempo.

Nolasco, homem de fé

Diante dos apelos de Deus, Nolasco pôde perceber aos poucos quanto a sociedade em que vivia estava longe do que Deus exige. A sociedade do século XIII era bastante semelhante a esta em que vivemos. Enquanto um pequeno grupo vivia na opulência, usando do poder para dominar, cheia de vaidade e satisfazendo todos os prazeres, a grande maioria da população era privada de todos os direitos.

Tal situação de pecado era camuflada, pois a sociedade se gabava de ser cristã. Pedro Nolasco não ficou indiferente diante destes problemas tão graves. Sua condição de comerciante o obrigava a viajar, constantemente, pelo Mediterrâneo. Desta forma, ele via o sofrimento das pessoas que eram vendidas e compradas como objetos.

Viajando para resolver seus negócios, Nolasco chegara até os grandes centros comerciais da época: Gênova, Marselha, Argel, etc. Nestas viagens, ele conhece os problemas dos cristãos que estavam cativos nas mãos dos mouros. Percebendo os maus tratos que eles recebiam, o perigo de perder até a própria fé, Nolasco sentiu condoer seu coração. Iluminado pela luz do Espírito Santo, ele vê naquelas pessoas escravizadas, a presença de Jesus. O aspecto delas se assemelha ao de Cristo no caminho de sua paixão.

Movido pela misericórdia que Deus lhe concede, Nolasco emprega seus recursos materiais para redimir aqueles cativos cristãos que se encontravam sob o poder dos inimigos. Ele traduz sua fé em Jesus Cristo por meio das obras de misericórdia em favor daqueles irmãos.

Nolasco, a paixão pela liberdade

Pedro Nolasco foi um apaixonado pela liberdade, tanto que se entregou sem medida, ao ideal libertador. Meditava com freqüência as palavras de Jesus, relativas à sua missão: "O Espírito do Senhor está sobre mim ..., me enviou para anunciar a liberdade aos cativos". Por outra parte, Nolasco tinha conhecimento prático da realidade dos cativos, carentes de liberdade e expostos a todo tipo de perigo, inclusive o perigo de perder a fé. Estes dois fatores, evangelho e vida, fizeram de Nolasco um aguerrido militante contra os inimigos da liberdade.

Nolasco transmitiu para seus confrades esta paixão pela liberdade. Hoje, seus seguidores, queremos nos deixar abrasar por esta chama de amor à liberdade. Reconhecemos que o cativeiro não acabou. Continua, mesmo que de forma diferente. O Vaticano II afirma que "surgem hoje nas sociedades humanas novas formas de escravidão social, política e psicológica, que derivam em última instância do pecado, e que resultam para a fé dos cristãos tão perniciosas quanto o cativeiro de outros tempos". Reconhecendo a existência de novas formas de cativeiro hoje, os mercedários/as querem continuar a obra de Nolasco, testemunhando a mesma boa nova de amor e redenção que ele fez no seu tempo.

Nolasco e os Leigos

Nolasco reconhece que a catividade era uma praga social de grandes proporções. Não dava para enfrentar sozinho. Fundou uma Ordem chamando conhecidos e amigos para colaborar na redenção dos cativos. Ainda eram poucos. Apelou para os LEIGOS. Percorreu cidades, vilarejos, povoados divulgando a causa da redenção. Conseguiu, assim, sensibilizar numerosos leigos, que se envolveram na missão de Nolasco.

Desde o começo da Ordem, foram muitos leigos que colaboraram com Pedro Nolasco na redenção de cativos. Os leigos assumiram o desafio. Divulgaram a redenção no mundo cristão, fizeram coletas e campanhas, aumentando em muito os recursos para o resgate dos cativos. O trabalho dos leigos foi de grande valor naquele tempo.

Hoje, a Ordem Mercedária continua apelando aos leigos para se engajarem na causa da libertação. Os religiosos mercedários são conscientes de que nós não somos "donos" do carisma de Nolasco. Libertar é patrimônio de todo cristão. Libertar faz parte da missão de Jesus, missão que passou para nós na hora do batismo.

Os mercedários querem ser animadores do carisma de Nolasco. Os leigos não são apenas colaboradores dos religiosos, nem libertadores de segunda classe. São participantes da missão de Jesus e herdeiros diretos do carisma de Nolasco. Todos juntos, religiosos, religiosas e leigos mercedários formamos a "família mercedária", a serviço da redenção.

O carisma libertador dos leigos se realiza no mundo onde eles vivem o seu dia-a-dia. É lá, no interior da família, no campo profissional, na área da cultura, na política, na economia, nas artes que eles devem ser fermento libertador. Missão específica do leigo é transformar a dura realidade do oprimido com a força do evangelho. Fazer valer a liberdade onde reina a opressão, a perseguição, a repressão, a ameaça à qualquer tipo de liberdade.

A família Mercedária Cresce

Conta-se de Pedro Nolasco que, certa noite, cansado e apreensivo pelos reveses e dificuldades, que se sucediam nos penosos trabalhos das redenções, caíra em profundo sono. E tivera um estranho sonho que o impressionara fortemente. Nolasco sonhara com uma árvore frondosa e bela, de tronco imenso e robusto. Homens rudes e de má índole tentavam, em vão, abatê-la, enquanto, aos seus olhos atônitos, galhos numerosos espalhavam, de mar a mar, os seus ramos. Apesar da impressão que lhe causara, Nolasco morreu sem conhecer o significado do seu sonho.

Com o correr dos anos, os seus religiosos descobriram, nas imagens narradas, o significado religioso desse sonho proférico do seu Fundador. Aquela imensa árvore, que o próprio Deus plantara, era a obra da libertação, que crescia no mundo através dos Institutos Mercedários. Aquele tronco vigoroso figurara o próprio Fundador, Pedro Nolasco. Aqueles homens rudes, são os homens de espírito iníquo e agressivo, que se sentem incomodados com a mística da caridade e da liberdade dos oprimidos. Os inúmeros galhos representa, os diversos Institutos de caridade mercedária, que, ao longo dos séculos, vêm surgindo na Igreja, como instrumentos de libertação.

Vejamos como, ao longo da história, Deus revela o significado do sonho de Pedro Nolasco:

No ano de 1218, Pedro Nolasco, por inspiração de Maria, funda a Ordem de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos.

Em 1272, surgem as primeiras religiosas mercedárias a serviço da redenção dos cativos.

Em 1827, Catalina McAuley funda, na Irlanda, a Congregação da Irmãs da Mercês, ou Sister of Mercy.

Em 1860, o mercedário Pedro Nolasco Tenas funda, em Barcelona, o Instituto da Mercedárias Missionárias de São Gervásio.

Em 1878, o servo de Deus João Nepomuceno Zegri funda, em Granada, Espanha, a Congregação das Irmãs Mercedárias da Caridade.

Em 1887, a venerável Madre Teresa Bacq funda, na França, o Instituto das Irmãs de Nossa Senhora das Mercês.

Em 1910, a venerável Madre Refugio Aguiar funda, no México, o Instituto das Irmãs Mercedárias do Santíssimo Sacramento.

Em 1938, o bispo Mercedário Dom Inocencio López Santamaria e a Madre Maria Lucia Etchepare fundam o Instituto das Mercedárias Missionárias do Brasil.

Estes Institutos espalharam suas casas por quase todo o mundo, fazendo presente o carisma libertador de Pedro Nolasco.

Os Mercedários na América

Em 1492, registra-se um dos maiores acontecimentos da história da humanidade: O descobrimento da América. O evento suscita ansiedade, euforia, projetos de humanização, do Novo Mundo. Não tardam em aparecer os interesses mesquinhos e as ambições de poder. Os conquistadores, fascinados pelas riquezas que encontram, passam por cima dos direitos dos índios. Começa assim um longo cativeiro de desrespeito e maus tratos.

Os Mercedários estiveram presentes na evangelização da América desde os primeiros momentos. Na segunda viagem de Colombo, em 1495, chegaram à América dois mercedários: Frei João de Solórzano e Frei João Infante. Os Mercedários acompanharam os conquistadores de vários países: Frei Bartolomeu de Olmedo acompanhou Hernán Cortés na conquista do México; Frei Francisco de Bovadilha acompanhou a Diego de Almagro e Francisco Pizarro na conquista do Peru; Frei Antonio Solis e Antonio de Almansa participaram da expedição de Almagro ao Chile, em 1535.

Os Mercedários se destacaram não só por estarem entre os primeiros missionários da América, mas também e, principalmente, por seu bem fazer, como registra o historiador da época Hernando Alonso: "Os Mercedários, desde que chegaram ao Novo Mundo, têm estado sempre a serviço do Evangelho, administram os sacramentos, convertem um sem-número de índios, sofrem muitos trabalhos, fome e perigos, tornando assim o seu trabalho mais intenso que o de todas as outras Ordens reunidas".

Uma das páginas mais belas da evangelização dos mercedários foi a devoção à Nossa Senhora das Mercês, que calou fundo na alma do povo americano. A proteção de Nossa Senhora das Mercês é invocada em todos os povos da América. O seu nome foi dado a cidades, Igrejas, Congregações, Confrarias, pessoas, etc. Não é possível escrever a história da América sem dar destaque à presença protetora da Mãe das Mercês sobre os povos do continente.

Os Mercedários no Brasil

Na Segunda metade do século XVII, os Mercedários chegaram ao Brasil. Os padres Alonso Armijo e Pedro de La Rua Circe, procedentes de Quito, Equador, descendo pelo rio Amazonas chegaram a Belém. Até parece providencial: como Belém de Judá fora o berço de Jesus, Belém do Pará foi o berço dos redentores mercedários no Brasil.

Belém do Pará e São Luís de Maranhão foram os primeiros lugares do Brasil que receberam a atividade redentora dos Mercedários. Nos pequenos povoados da Amazônia fundam Doutrinas, reúnem os índios, catequizando-os e participam da vida sofrida daquelas gentes. Com a força do evangelho e o testemunho de vida, os missionários começam a transformar a vida dos índios, exposta a diversos riscos.

A primeira etapa dos Mercedários no Brasil parou nestes dois lugares. No século XIXX, os conventos mercedários no Pará e Maranhão entraram em decadência. Motivos: a independência do Brasil, que paralisou a vinda dos religiosos, a extinção da Ordem Mercedária em Portugal e a proibição do Governo Imperial, em 1855, de admitir noviços nas Ordens Religiosas.

Maria, mãe dos cativos e mãe dos redentores

Por sua intervenção no começo da Ordem que leva seu nome, os Mercedários chamamos a Maria de MÃE DAS MERCÊS e a veneramos como inspiradora de sua obra de redenção. Sabemos que, por sua inspiração, Nolasco fundou a Ordem Mercedária para Redenção dos Cativos. Maria não é apenas a Rainha do céu, nem somente modelo de fé para os cristãos. Para nós, Ela é a Mãe dos cativos, aos que protege como irmãos queridos de seu Filho; ela é também a Mãe dos redentores, que oferecem liberdade aos cativos, pois anima e promove sua ação redentora.
Maria é a mãe solícita que visita a quem dela precisa; é a mãe que permanece ao pé da cruz, onde seus filhos sofrem. Maria desde o céu, vê e ouve os gritos de seus filhos e envia mensageiros para socorrê-los. Um dia foi enviado Pedro Nolasco. Hoje, somos nós.
Os Mercedários sempre devotaram um grande amor à Maria. Levaram seu nome e devoção a toda cidade, vilarejo, aldeia por onde passaram. Deixaram estampado seu nome em cidades, igrejas, colégios, instituições. Invocaram o nome de Maria no começo das redenções e, na volta, junto com os cativos remidos, agradeciam a Maria o sucesso da redenção.
Na América, os Mercedários divulgaram o nome de Maria desde o início da evangelização. Provavelmente, a primeira imagem de Maria que entrou na América foi a Santo Cerro de La Cruz de La Veja, na República Dominicana, onde foi erigido o primeiro santuário mariano no Novo Mundo.
Nossa Senhora das Mercês continua sendo invocada como a Mãe da Libertação em toda América Latina.
Os Mercedários queremos incentivar a devoção a Maria, mãe dos cativos e dos redentores. Aprendemos no Noviciado a gravar em nosso coração o nome de Maria, de modo que nada haja em nossa boca, em nossa mente, em nossa conduta que não respire amor à Maria das Mercês.
Os Mercedários retornam ao Brasil em 1922, atendendo ao pedido do Papa Bento XV, de assumir a Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia, no Piauí. Pouco depois, os Mercedários assumiram mais duas Prelazias no Piauí: São Raimundo Nonato e Campo Maior. Hoje, contamos com casas nos Estados do Piauí, Bahia, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
Vale a pena destacar a presença e atividade redentora das Irmãs Mercedárias Missionárias do Brasil, fundadas em 1938 por Dom Inocêncio e Madre Maria Lúcia Etchepare, no Piauí. Também honram o título das Mercês as numerosas Irmãs Mercedárias da Caridade, com suas obras de caridade por todo o país.
Além da ação dos religiosos e religiosas mercedários, florescem numerosas confrarias legais, particularmente na região de Minas Gerais. São bem conhecidas as Confrarias Mercedárias de Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Mercês, Mar de Espanha, Campo Belo, etc.
Toda esta grande família mercedária, sob a proteção de Nossa Senhora das Mercês, se propõe particular da libertação do povo oprimido do nosso país.

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