Em 1918, nosso bairro era uma terra usada por ex-escravos. Essas terras foram doadas por D. Pedro II, aos antepassados do Sr. Bento Souza Pedroso.
Nestes terrenos haviam valas da altura de uma pessoa, que os escravos cavavam para se defender contra invasores, cobras venenosas e raposas existentes em grande quantidade. Havia também uma enorme variedade de pássaros.
Com a chegada de imigrantes italianos, portugueses e espanhóis, estes adquiriram estas terras e as transformaram em chácaras de flores, canas, pastos e plantação de eucalipto usado nas olarias. Havia também minas de água e a exploração do caulim pelas famílias Zabeu, Merdado Empilia, Bento Souza e pela família Matarazo.
A vida, nessa época era difícil. Não havia água encanada e nem luz. As mulheres faziam a ordenha das vacas. Os homens vendiam o leite e outros produtos no Sacomã e no Ipiranga.
No local onde estamos agora as vacas e outros animais pastavam. Havia a beleza natural do verde com borboletas e pássaros de muitas espécies. Estas chácaras formavam um conjunto chamado Cercado Grande.
A transformação do Bairro
No Ipiranga e no Sacomã ( Ponto Fábrica ) houve um grande desenvolvimento industrial oferecendo assim muito emprego para operários.
Os filhos dos chacareiro já não desejavam trabalhar na lavoura. Buscavam empregos nas fábricas. Isso na década de 30. Os operários, desejando constituir famílias, começaram a adquirir terrenos nas adjacências do Ipiranga.
Os chacareiros idosos e sem a mão de obra familiar, resolveram lotear as chácaras.
Em 1935, mais ou menos, o Senhor André Nunes, político da época e proprietário de uma loja de calçados chamada "Quá-Quá- Quarenta", querendo ampliar seus negócios, construiu um conjunto de casas na praça onde se situa hoje o supermercado Terranova. Daí o nome: Vila dos Quarenta ou dos Quá-Quá.
Nessa época na atual Av. Pe. Arlindo Vieira, foram construídos dois sobrados pela família Zabeu, que naquela época se chamava Estrada do Caraguatá e depois Estada do Curral Pequeno. A família Zabeu bem como a família do Conde Matarazo trabalhavam com a lavra do Caulim. a família Matarazo construiu um castelo para passar fins de semana aqui. Estes exploravam o caulim no terreno que formou uma lagoa onde é hoje o Carrefour. Muita gente morreu naquela lagoa.
Meio de Transporte
Nessa época havia apenas uma jardineira que saía da hoje Praça André Nunes até o Sacomã. Para o transporte de carga era usada tração animal.
A Praça André Nunes foi inaugurada com plantio de árvores em 28 de Junho de 1948.
A primeira Linha de ônibus foi inaugurada entre 1945 e 1948 da empresa dos Romanos, e ia do final da Av. Nossa Sra. das Mercês até o Parque Dom Pedro II.
Força, Luz e Água
A força e luz foram inauguradas em 1946 e tivemos água encanada em 1955.
2ª TRANSFORMAÇÃO DA VILA
Nome atual de nosso Bairro
Tendo já nosso bairro muitos benefícios e seus moradores com profissões definidas em com a família crescendo, sentiram falta de algo que os completasse: uma Igreja. Duas senhoras antigas do bairro, dona Dolores Zabeu ( dona Nena ) e Dona Alzira Zabeu solicitaram à Cúria Metropolitana de São Paulo que providenciassem esse desejo. Um casal de chacareiros, o Senhor Manoel Joaquim de Oliveira e Benedita Cândido do Espírito Santo doaram um terreno à Cúria par que nele fosse erguida uma igreja. A Cúria designou a Ordem Mercedária que aqui se estabelecesse com a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, daí o nome de nosso bairro (que é subdistrito da Saúde) em homenagem à N. Sra. das Mercês.
Construção da Igreja
A primeira reunião paroquial foi na casa da família Faccina. Seguiram se outras na Rua Sta. Cruz, hoje Marquês de Lages e finalmente a construção da atual igreja.
A Primeira Escola
A primeira escola (particular) ficava na antiga Rua Santa Cruz, esquina com a atual Av. N. Sra. das Mercês. Era uma casa de pau-a-pique onde moraram ex-escravos. A professora se chamava Dona Dulce Leoni. A primeira escola estadual de nosso bairro chamava Grupo Escolar Heliópolis e ficava na Rua Batuira em extensão na Rua Victor Emanuel, em terreno cedido pelo Senhor Agostinho Antonio Mieli.
Atualmente nossa Vila já está bem desenvolvida. Temos ótimas escolar, bancos, postos de Saúde, conjuntos habitacionais e um povo amante do trabalho e da paz. Que Deus e N. Sra. das Mercês abençoem este povo maravilhoso.
Nossas Homenagens para:
- Todos os chacareiros :
Antonio Rocha, Bento Souza Pedroso, Francisco Otaviano, Agostinho Mieli, Manoel Joaquim de Oliveira, Sr. Domingos Alves Pereira, Família Zabeu, Merdado Empilia, Famílias: Faccina, Almeida, Piccinim, Bacarim, Rosati, Zuim, Borges de Freitas, Denardi Guerreiro, Leite, Matias, Gacek, Braile, Sperque, Medina, Olimpio, Tralback, Ferraz de Assis, Alves Pereira, Jatobá, Cardoso, Nunes, parentes do Padre Abel Nunes, Tito Costa, e mais Dona Lindinha e Sr. Aurélio, Sr. Calaça, Luiz D'albello, Joaquim Vidal, Padres - Abel - Manoel - Mário - Amadeu - Agostinho - pelo espírito desbravador e pioneiro, que muito contribuíram para que chegássemos ao estágio em que estamos hoje.
Estamos aqui para continuarmos com o progresso do 3º Milênio com Fé em Deus e Amor a todos.
Sejamos todos felizes!!!
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